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Grei

Grei

Foi com grande expetativa que subimos a Rua Braamcamp, em Lisboa, e virámos à direita para a Rua Rodrigo da Fonseca. É que no número 87D fica localizado o Grei – Comida do Sul, um restaurante que há muito queríamos conhecer.

Ao entrar, a primeira impressão é claramente bastante positiva. O espaço é sóbrio e requintado. As paredes num tom cinzento-escuro fazem sobressair as alvas toalhas das mesas e as cadeiras em madeira clara. Algumas peças destacam-se neste ambiente: a cómoda alta em madeira igualmente clara, os três candeeiros enormes pendurados do teto ou o grande quadro colorido (em claro contraste com os tons dominantes), definem pontos de interesse e tornam o espaço mais estimulante.

Já a cozinha, dirigida pelo chef Mário Cardoso, vai buscar a sua inspiração aos sabores da dieta mediterrânica, sendo evidente a forte influência da cozinha Portuguesa expressa pelos melhores produtos que Portugal tem para oferecer: o atum fresco ou vitela dos Açores, os enchidos de Vinhais, o borrego da Beira Baixa, o porco Alentejano, a carne Mertolenga e Barrosã ou o maravilhoso peixe da nossa costa. Perante a possibilidade de deixar a difícil escolha do que comer nas mãos do chef, nem hesitámos. Por isso sentámo-nos, relaxámos e deixámos que a sua inspiração ditasse o curso do jantar.

No couvert, o cesto de pão bem composto, com pão com chouriço, pão de açafrão com frutos secos (muito bom) e baguete de sementes, acompanhou uma manteiga de cogumelos, queijo fresco com compota de morango, pasta de morcela e um excelente azeite aromatizado com alho e ervas. Seguiram-se as entradas, umas tenríssimas lâminas de novilho dos Açores com maionese de caril, maracujá, massa kadaif fina e estaladiça e rebentos de ervilha; e um creme de crustáceos, reconfortante e aromático.

Se as entradas convenceram pelo sabor, originalidade e apresentação, os pratos principais não quiseram ficar atrás. Para o prato de peixe, atum dos Açores crestado com sementes de coentros e sésamo, puré de cherovia e redução de molho de soja, um peixe confecionado na perfeição, com lascas perfeitas; e, no de carne, magret de pato com espargos verdes e salsifi salteado, com molho de laranja, num excelente equilíbrio de sabores.

Um jantar tão estimulante teria que terminar de forma igualmente excecional. Uma tábua de degustação presenteou-nos com algumas das sobremesas da casa: farófias, mini pavlova conventual, com doce de ovos, e com frutos vermelhos, mousse de chocolate com azeite, flor de sal e avelãs (realmente boa) e um gelado de lima, com a frescura e acidez necessárias para preparar o palato para cada um destes doces soberbos.

Jantar, ou almoçar, no Grei é uma experiência que estimula os vários sentidos. Visual, pela harmonia do espaço e pela cuidada apresentação dos pratos. Gustativo, pela excelente qualidade dos ingredientes e pela harmonização entre a tradição e a modernidade, expressa nos pequenos detalhes que transformaram cada prato num momento de degustação especial.

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