Caldas da Rainha, Comer Fora, Restaurantes, Zona Centro
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Maratona

Maratona

O Maratona, divide-se em dois espaços, restaurante e café.
O restaurante ocupa o espaço de uma antiga sala de jogos, adjacente, mantêm-se o café. Um dos espaços mais carismáticos das Caldas da Rainha a celebrar brevemente 50 anos de existência. Na família de José Vale desde a década de 80, o café Maratona é um espaço onde as conversas e os sons que percorrem os anos se cruzam entre memórias passadas e acontecimentos presentes.

Zé, como todos lhes chamam, é o mentor deste projecto, empreendedor, com gosto pela produção onde estão incluídas áreas mais artísticas, vive o Maratona “como um projecto e não como um negócio”. Ideias promissoras revelam-se nas palavras com que vai expressando pragmática conversa. Percorre o passado, salta para o futuro e não se esquece do presente. O Maratona é tudo isto, juntando uma pitada de ousadia e bravura, combinando uma equipa coesa e apaixonada que se revela atenta às novas tendências.

A mesa reservada situava-se num ponto estratégico. O restaurante é um espaço aberto e bem iluminado. Do lado direito da sala, um comprido e alto balcão de bar, bem organizado, convida-nos a prever que chegada a hora, a música soará mais alto em sessões de Dj set. Próximo do balcão, a porta da cozinha. Uma rasgada janela não nos intimida a espreitar o ritmo atarefado dos dois Chefs, Bruno e Ricardo que vão coordenando a sua equipa. Na sala, em harmonioso dueto, duas colaboradoras circulavam de avental preto numa dança profissional que antecipa o gesto. O nosso e o delas.

O jantar foi uma surpresa, esperava-nos uma degustação de sete pratos, bem confeccionados, um conjunto de obras efémeras e diferenciadoras de rasgo criativo.

Começámos com um salteado de cogumelos shitake escondido num suspiro de cor negra docilmente colocado num quadrado esquálido de pedra mármore. A acompanhar um copo de vinho branco Beyra, fresco e suave. O apetite revelava-se.

Numa pequena campânula transparente, levantada ao ser pousada uma porção de fumo desvendava a peça de salmão caseiramente fumada acompanhada por beterraba e laranja num inconfundível agridoce. Pousado numa pequena tábua de madeira bem grossa, estavam por camadas em montagem vertical, um fofo e branco pão asiático cozido a vapor, um naco de atum (ou de novilho) braseado, um ovo estrelado e parmesão em lascas.

Os desafios da prova num diálogo corrente entre as partes que tomavam partido nesta refeição. Na simplicidade se intercala a imaginação, na intensidade das cores se desfrutam delicadas inspirações.

Regresso às origens, o Maratona abraça a sua região e cidade. Maioritariamente os produtos de origem vegetal são fornecidos por vendedores do famoso mercado das Caldas da Rainha e por uma jovem agricultora local, que lhes fornece preciosos produtos tais como as flores comestíveis, germinados ou microgreens.

Depois de um breve intervalo, o vinho tinto Tons de Duorum faz-se acompanhar por um prato surpreendente nos sabores e cores. A suave textura dos gnocchis em tom rosa adocicado, contrasta com a maçã verde muito fresca e ácida, migalhas de queijo e um tom verde comestível a decorar, tudo ligeiramente regado com azeite num equilíbrio muito elegante. Numa tábua de cerâmica, estava depositado o sashimi de truta, o denso molho teriyaki, o estremecer da alga piclada, a estaladiça pele de peixe frita e a uma delicada mordidela na rama da cenoura bébe. Numa tábua de madeira de corte transversal pondo a descoberto os anéis concêntricos perfeitos de uma árvore, um pedaço de tenro leitão, deliciosas batatas douradas condutoras de um odor a especiarias que lhe fornecem cor, o espargo verde, o queijo creme com ervas levam-nos a uma imprevista pausa. É necessário entender a envolvência do conjunto, da sinfonia de experiências, do profissionalismo de vasto esmero.

Epílogo surpreendente, uma sobremesa da carta, um “final feliz” – título indicado para as sobremesas na carta – uma pedra maciça, cinzenta e fria a “Rolling Stone”, onde depositado num rasgo concavo, o gelado de café, o ganache de chocolate e a mousse de baunilha, assentam escondidos por um crumble verde tingido pela cor natural da rúcula. As texturas combinam-se, o verde em neutra independência resultará perfeito.

Terminámos assim, respirando sabores delicadamente combinados por fraternas emoções e estética radiante.

São estes os profissionais que se dedicam todos os dias aos almoços em menus diários, à extensa carta dos jantares ou aos famosos serviços de catering. Maratona, um espaço criativo onde vitoriosas ideias geram maravilhosas experiências gastronómicas, discretos sorrisos, silenciosas exclamações de prazer e agradecimentos sustentáveis pela qualidade das convicções.

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