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Cozinha Urbana

Há negócios que nascem assim. Quando é o lugar que nos escolhe e nos acolhe a ideia. E a partir daí há uma sucessão de coincidências, de ajudas que se dão, de ideias que se emprestam, de coragem que se instiga e de alegrias que se partilham.
Foi com a mesma serenidade de aceitar este destino que Sara Veríssimo me diz que viveu 10 anos na China, em Macau. Pergunto-lhe a fazer o quê: “A crescer”, respondeu-me. A crescer e a captar emoções. A apreender e a fundir sabores de cá e de lá.

A Cozinha Urbana é apenas o primeiro projeto de Sara: 18 lugares e uma pequena esplanada com vista para o Castelo, Tejo e Ponte. Neste pequeno espaço fundem-se culturas, há quadros que se vendem e discos de vinil que os clientes podem pôr a tocar no gira-discos. As cadeiras e mesas são desirmanadas como se de repente tivesse sido necessário arrebanhar todas as cadeiras da casa para acolher quem nos visita.
O nome Cozinha Urbana surge porque tal como nas urbes há culturas que se cruzam, que se juntam agora e se afastam depois. Há as pessoas que permanecem, as que partem e as que, simplesmente, passam. Nas cidades o movimento é dinâmico, há interacção, história e estórias e também assim é na Cozinha Urbana.

Aqui juntam-se sabores improváveis: amendoins com wasabi, húmus de grão e sésamo, salada de beterraba, sopa tailandesa ou chamuça com batata-doce para entradas. Também se une carne ao peixe. A carne é vazia dos Açores e o peixe são flocos de bonito (atum). E assim se recria o Takoyaki (uma especialidade tradicional japonesa), um excelente hambúrguer. Mas pode ser o Beijing que nos transporta para o pato à Pequim, o Tonkatsu com wasabi ou o Miso com o próprio. Para agradar a todos os urbanos, há o Veggie, só com vegetais.
Nesta Cozinha Urbana há ainda um segredo a pedido. Fatiota de coelho: vem desossado, grelhado, com cuscuz e salada e quiçá outros sabores do mundo.
Não querendo pão nem carne, há saladas. Onde os sabores também convivem: pato e cuscuz ou de muxama (uma especialidade algarvia, que consiste em atum seco).
Por fim, destaque para um bolo de chocolate cheio de geografias, com flor de sal e pimenta preta.

Para beber referência para as cervejas. Para além da tailandesa ou da japonesa têm uma das mais urbanas cervejas, feitas quase ali ao lado: a 8ª Colina, cerveja artesanal portuguesa, nascida algures na Graça, em plena Lisboa.

Voltando ao princípio. O local escolheu e acolheu a Sara e o seu negócio. Tenho para mim que a vivência da cidade de Lisboa irá passar, inevitavelmente, num futuro próximo, pelo eixo Mouraria-Martim Moniz-Intendente-Graça. Aproveite e seja dos primeiros a usufruir e a deixar-se acolher por uma nova-cidade-velha.

Se é uma boa escolha? Com certeza!
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